
idéia de fortalecer a cadeia produtiva da mandioca surgiu a partir do Projeto REFLORESTÁGUA, cujo objetivo é a melhoria da qualidade ambiental da bacia do rio Tapacurá. Neste projeto ficou constatado como o segundo maior poluidor do Tapacurá, o despejo da manipueira nas suas águas. A manipueira é um líquido com alto teor de matéria orgânica, que é fruto da prensagem da mandioca e que tem sido descartado nos rios, poluindo-os, apesar da sua riqueza de nutrientes, tanto para o solo como para os animais.
Em contato com donos de casas de farinha no município de Pombos com o intuito de evitar o despejo da manipueira nos rios, ficou claro que a atividade gera muitos empregos (muitas mulheres raspadeiras), porém estas vêm perdendo a competitividade pela significativa redução das áreas de produção de raiz de mandioca. A queda da produção e da produtividade da mandioca é decorrente da falta de Assistência Técnica Rural (ATER) nos municípios da região e a presença de uma doença chamada "podridão da raiz". O resultado é a necessidade da importação da mandioca de locais distantes, onerando os custos da produção da farinha local. Este processo vem levando a falência de muitas unidades de beneficiamento de mandioca, sejam estas com estruturas de maior porte ou ligados a agricultura familiar, trazendo o conseqüente aumento do desemprego na região.
Ao ser observado a complexidade e a falta de ligação na teia produtiva da mandioca, duas oportunidades foram prementes para que a Sociedade Nordestina de Ecologia inicia-se um processo de desenvolvimento sócio-ambiental, apoio por parte do Estado (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável da Zona da Mata Pernambucana - PROMATA) e da PETROBRAS FOME ZERO, financiando os projetos Casa de Farinha e Corredor da Farinha, respectivamente. Tais projetos consideram a complexidade do setor, atrelando o desenvolvimento econômico com geração de renda e sustentabilidade ambiental, por meio de capacitações e oferta de ATER a agricultores e donos de casas de farinha em 06 municípios vizinhos (Pombos, Vitória de Santo Antão, Glória do Goitá, Lagoa de Itaenga, Chã de Alegria e Feira Nova).